Amando mais

Ao longo dos anos quis muito amar e me sentir amada. Não conseguia entender o porquê do outro não me dedicar atenção, carinho e, claro, amor. Em geral, ao me relacionar, me entregava completamente e logo notava o outro se afastando, deixando de me procurar. A dor era insuportável , mas  não percebia estar amando tal pessoa a ponto de  justificar  tamanha desilusão.
Entendi  então que queria amar mais e que,  possivelmente , não estava dedicando a esses “amores” um sentimento genuíno e verdadeiro, e este seria o motivo de afastá-los.
Iniciei um processo de aceitação plena da pessoa com quem estava vivenciando um relacionamento, na verdade uma tentativa com esse nobre objetivo. Essa atitude facilitou meu  relacionamento , mas ainda não percebia o amor se apresentando.
Ao ir mais fundo nessa questão, compreendi que sentia medo dos homens e que ali estava o verdadeiro motivo de afastá-los, pois o medo cria uma barreira entre nós e o outro. E com esse sentimento não há como manter um relacionamento fluído, onde o diálogo , por meio da Essência,  deva estar presente .É importante ressaltar que o sentimento contrário ao amor não é o ódio,  e sim o medo.
Ao buscar o motivo de sentir medo, encontrei vários, desde uma surra a qual fui presenteada pelo meu pai aos 5 anos, até o medo que minha mãe reforçou em nós,  filhas mulheres, fazendo-nos atender aos mandos e desmandos dos irmãos mais velhos, após a morte de meu pai.
Mas ainda assim meu medo não se justificava. Aí, revendo o aprendizado obtido em “ Um Curso em Milagres”, percebi que o verdadeiro motivo da existência do medo nos relacionamentos afetivos é a culpa. O corpo, sem a consciência do Ser, é tido como fonte de tentação e, como não devemos tentar o outro, segundo a orientação bíblica, sentimos medo, muito medo de contrariar essa “lei”.
Ainda hoje essa forma de viver relacionamentos, onde o medo costuma estar presente, de uma forma ou outra,  é vivenciada por muitas mulheres e  homens. São relações onde percebemos conviver com o “inimigo”, embora também o sejamos , e a relação é mantida para atender um conjunto de motivos, desde a família até,  e especialmente, razões econômicas.
Então qual é o caminho para amar e nos sentir amados ?
O caminho é amar-nos mais, aceitar-nos de forma incondicional , tendo como base a Essência Divina que somos; é procurar entender que o nosso corpo é criado a partir dessa Essência e que nossas atitudes são pautadas no Amor existente em nosso interior. É compreender que somos, a cada momento, exatamente como conseguimos ser. É perceber a perfeição desses momentos e a nossa própria perfeição .
                 Só então podemos amar verdadeiramente alguém. Quando aceitamos plenamente o Amor que somos, conseguimos também aceitar o outro sem querer que ele seja diferente do que consegue ser. E a aceitação fluirá de forma natural e espontânea, pois não estará pautada no que o outro acredita ser , mas sim no que ele verdadeiramente é!
Certamente amar-nos mais é um processo a ser vivenciado de forma constante e contínua, pois teremos que reaprender sobre o Amor, entendendo que esse sentimento não parte do outro e sim de nós, como um reflexo. Como já sabemos, nem todas as relações possuem o mesmo objetivo; portanto,  o fato de amar-nos mais,  vai além de amar a nossa condição física…Devemos amar nossa totalidade, nossa forma de ser, de agir, de nos expressar e até de nos incomodar com a forma como  os outros se manifestam . Amar  nossos próprios gostos , nossos vícios e dependências, nossa forma de nos relacionar, nossas inconsequências, nossas inseguranças ;  enfim, nossas culpas e medos.
E, ao amar aquilo que estamos sendo, não significa que iremos manter as atitudes e comportamentos que nos prejudicam. Ao contrário, ao amar colocamos sobre isso uma força positiva e, com ela, poderemos escolher com o que/quem  queremos conviver. Certamente aquilo que não nos será benéfico, aos poucos, deixaremos ir…
Portanto, na questão onde sempre quis ser amada ,  percebi que sentia medo e me afastava dos relacionamentos.  Hoje compreendo que devo amar o medo, trazê-lo para perto, me unir a ele até desfazê-lo,  pois  amando o que ou quem nos faz sentir medo é que desfaremos a barreira que impede o reflexo do amor.

Autora dos livros
A Culpa não é Sua – Perdão: A Essência da transformação – Ed. BesouroBox
A Comunicação por meio do Amor – Ed. Scortecci
Relações de Amor Sinceras – Ed. BesouroBox

Revisão e correção: Jeannine Dufau

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