FAMÍLIA E AMOR

Construir um núcleo familiar é fácil, difícil é amar a todos incondicionalmente. Sabemos dos reveses existentes no dia a dia, iniciando pelo casal, quando as dificuldades se apresentam de diversas e inúmeras formas desfazendo a imagem de “comercial de margarina”, que provavelmente muitos de nós gostaríamos que fosse mantida.

Para evitar a destruição da imagem de família, podemos nos manter dentro de um casamento mesmo não estando felizes. Aí o amor pela família aparentemente já estaria sendo demonstrado.

Mas e o amor por nós mesmos, onde fica? Podemos sentir amor incondicional pela família quando nos forçamos a permanecer em uma relação desgastada e sofrida? Com certeza não.

Se permanecermos sem ir fundo em nosso Interior, seremos infelizes e faremos ainda mais infelizes os outros membros da família, e se nos afastamos sem buscar o perdão, idem.

Quando há uma ruptura como a separação, com mudança de um dos pais para outro local, parece que o amor deixou de existir ou nunca existiu. E acreditando nisso, o casal se mantém afastado, evitando diálogos, criando um muro de críticas e acusações mútuas para provar que estão certos em não mais conviver um com o outro.

O medo de uma retomada do relacionamento infeliz costuma impedir uma relação mais próxima e desprovida de conflitos, isto é, com base no amor incondicional.

Lembro da minha experiência, quando o pai de meus filhos e eu optamos em nos separar surgiu em minha mente uma questão insistente:  a família! e a família? Uma preocupação que vinha à tona, dificultando ainda mais a solução que havíamos encontrado.

Terminava o casamento, mas a família não!  E se iniciava um difícil e lindo aprendizado para todos, onde aprendemos sobre o amor incondicional e relacionamentos com base na verdade, desfazendo o medo de dizer o que sentíamos e queríamos, valorizando nossas decisões, reforçando a nossa autoestima  e deixando aos poucos de nos ocuparmos  com os outros, passando a sermos absolutamente responsáveis por nós mesmos.

Percebo que o “olhar para fora”, em geral disfarçado em preocupação com o outro, é falta de amor.

Se nos aprofundarmos – usando alguma técnica de imersão – em busca do que representam determinados sentimentos  como pena, necessidade de cuidar do outro, ciúme, rejeição, etc… vamos perceber que todos, sem exceção, refletem a falta desse genuíno sentimento em relação a nós mesmos.

Essa investigação interna é o inverso do que costumamos ouvir, pois aprendemos que devemos nos preocupar com os outros, atender os inúmeros chamados de atenção e reclamação travestidos de problemas  e dificuldades, e se não o fizermos, é por que somos egoístas e sem amor.

Só poderemos fazer tudo isso se  estivermos sentindo amor incondicional.

Atender ao próximo porque estamos precisamos de amor é válido se estivermos buscando nos amar, pois aí saberemos dar e ter limites e aprenderemos também, nas situações onde percebemos que estamos sendo exigidos demais, a ir fundo em nosso Interior e acessar a compreensão da falta de amor por nós, refletida na situação.

Em vários momentos questionei se não estaria sendo dura com quem me relacionava, especialmente quando aprendi sobre dar e ter limites. Como estava habituada ao apego, onde a culpa e o medo de não ser amada faziam com que voltasse atrás nas decisões tomadas, tive que exercitar muito o perdão a mim mesma  para conseguir manter-me firme no que propus mudar.

Passado o longo e intenso período de aprendizado sobre ter e dar limites, descubro a importância de abrandar meu grau de exigência tanto em relação a mim, como em relação às pessoas com quem me relaciono.

Os limites agora são dados pela Sabedoria, não mais por mim. Com a aceitação, entrega e opção pelo perdão exercitados ao longo dos anos, o apego deixa de existir, permitindo uma convivência fluida e sincera, cheia de ternura e, claro, com a doçura do amor por mim mesma se transportando para quem convivo.

Assim minha família tornou-se imensa, são todos os que leem meus livros e textos, os que trocam comigo pequenas mensagens no dia a dia, os clientes que ligam para saber sobre seus processos, os relacionamentos afetivos e seus familiares, e, claro, meus filhos e o pai deles, sem ordem de prioridade, pois esta quem determina é o Amor verdadeiro.

Revisão e correção com apoio de Luis Daniel Silla Grecco.

 Autora dos livros

A Culpa não é Sua – Perdão: A Essência da transformação – Ed. BesouroBox

A Comunicação por meio do Amor – Ed. Scortecci

Relações de Amor Sinceras – Ed. BesouroBox

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2 comentários sobre “FAMÍLIA E AMOR

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